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Grande Taguatinga

 

 

O Estado Não Ouve

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Maria Eugênia (*)

 

É INCRÍVEL como o Estado é surdo. Semana passada, acompanhamos os moradores da BR-040, na cidade de Valparaíso (GO), que foram às ruas, fecharam a rodovia mais de uma vez, para, simplesmente serem ouvidos. Isso mesmo, queriam ser ouvidos.

 

Queriam que o Estado tomasse medidas que colocassem fim às ameaças que diariamente são submetidos, sejam ao precisarem atravessar a rodovia ou por ela transitarem. Em fevereiro, uma mulher perdeu a vida por conta da ausência do Estado, que ignorando o clamor da sociedade não instalou redutores de velocidade, quebra-molas, fiscalização eletrônica, faixas de pedestres ou, apenas, que uma viatura policial fosse colocada às margens da rodovia para inibir a ação daqueles que têm o pé pesado e adoram acelerar.
Sabe o que é engraçado? Quando os governantes ainda não são Estado, eles ouvem. Aliás, vivem de ouvir. Constroem suas campanhas ouvindo a sociedade e, a partir daí, fazem suas promessas, um compromisso para atendê-las. São todos ouvidos. É tudo muito fácil. Existe um problema, os eleitores cobram e lá estão eles prontos para prometer resolvê-lo.
Mas basta vencer a eleição e se tornarem Estado que ficam surdos. Isso mesmo, surdos. A sociedade está ali, pedindo, implorando, reivindicando. Mas o Estado não ouve.
Isso acaba obrigando a comunidade a ir para as ruas. Sim, fechar rodovias, estradas, queimar pneus, enfrentar a polícia. Afinal, descobriram que essa é a forma para serem, simplesmente, ouvidos.

 

Concordo que nem sempre esse é o melhor caminho. Quando uma parte da comunidade fecha uma rodovia porque uma menina de nove anos foi atropelada por um veículo que fugiu, e teve a vida ceifada, outra parte é prejudicada. Sim, aqueles que precisam chegar em casa depois de horas de ausência por causa do trabalho. Exaustos, eles querem apenas chegar, abraçar os filhos, a família e encerrar aquele dia que, geralmente, começou muito cedo.

Portanto, o Estado não ouve e, pior, sua surdez consegue colocar a sociedade contra a própria sociedade. Isso tem que acabar. E se a atitude para mudar isso, trazer o Estado para mais perto da comunidade – que afinal é quem o sustenta – não parte dos governantes, é muito fácil.
Basta ao eleitor se lembrar daquele que antes de formar o Estado esteve lá, na comunidade, pedindo voto, prometendo “n” coisas. Basta tirá-lo da sua colinha e votar em outro ou em outros, até que um dia alguém possa ouvir.
O Estado tem de ouvir a população. Ter canais que estejam 100% abertos. Não apenas ouvidorias onde o cidadão deposita suas reclamações, suas reivindicações, suas esperanças de uma vida melhor. É preciso dar respostas, e rápidas. Quantas vezes existe um gasto emergencial de milhões de reais que não exige licitação, mas para a construção de um quebra-molas a tal licitação é obrigatória? A verdade é que o Estado só ouve o que quer ouvir e, infelizmente, não é a voz que vem das ruas.

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