Paciente supera tetraplegia e reaprende a andar em Taguatinga após longa reabilitação
19/3/2026
Um caso de superação tem chamado atenção na rede pública de saúde do Distrito Federal. Após enfrentar um quadro gravíssimo que o deixou tetraplégico, o motorista Adriano Veras Sousa, de 39 anos, voltou a dar os primeiros passos durante o processo de reabilitação em Taguatinga. A trajetória começou em outubro de 2024, quando o paciente deu entrada em uma unidade de saúde com um quadro de obstrução intestinal. Encaminhado ao Hospital Regional de Taguatinga para cirurgia, Adriano sofreu uma piora inesperada, evoluindo para paradas cardiorrespiratórias e edema cerebral – complicações que resultaram na perda dos movimentos abaixo do pescoço. Durante meses na UTI, ele permaneceu consciente, mas sem conseguir falar, andar ou se alimentar. A comunicação era limitada a ruídos, enquanto a equipe médica mantinha cuidados básicos e suporte contínuo. Nesse período crítico, o pensamento constante na família (mãe, esposa e filho) tornou-se o principal fator de motivação para resistir. A recuperação começou de forma lenta, com apoio multiprofissional da rede pública e acompanhamento intensivo de fisioterapia. Aos poucos, Adriano reaprendeu funções básicas, como falar, se alimentar sozinho e realizar atividades simples do cotidiano. Atualmente, em tratamento na Policlínica de Taguatinga, ele já consegue ficar em pé e caminhar pequenos trechos, ainda com limitações. Segundo profissionais envolvidos no caso, a evolução surpreendeu até a equipe médica. Exames indicavam baixa capacidade de ativação muscular, especialmente nas pernas, mas, mesmo assim, o paciente voltou a andar após meses de imobilidade. O tratamento segue com uso de recursos auxiliares, como talas, e sessões contínuas de reabilitação. Paralelamente, o quadro clínico segue em investigação no Hospital de Apoio de Brasília, com a hipótese de causas genéticas ou autoimunes para as complicações que desencadearam a tetraplegia. Hoje, de volta para casa e ao convívio familiar, Adriano celebra cada avanço. Após mais de um ano sem atividades simples, como tomar banho de chuveiro, ele reaprende a valorizar pequenos gestos do cotidiano – símbolos de uma recuperação marcada pela persistência, pelo apoio familiar e pela atuação decisiva da rede pública de saúde.
Foto: Agência Saúde
