Biblioteca Braille em Taguatinga oferece aulas de forró para pessoas com deficiência visual
2/1/2026
O ritmo contagiante do forró tem transformado as tardes de segunda-feira na Biblioteca Braille Dorina Nowill, em Taguatinga. Por volta das 15h30, o ambiente tradicionalmente silencioso dá espaço à música, às risadas e ao som dos passos marcados por cerca de 20 pessoas com deficiência visual que participam das aulas de dança promovidas pela Associação Brasiliense de Deficientes Visuais (ABDV). A iniciativa, que acontece há cerca de três meses, tem se consolidado como uma importante ação de inclusão, bem-estar e convivência social. As aulas são realizadas em um espaço público que hoje é mantido por meio da parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF), a Secretaria de Educação (SEE-DF) e a Administração Regional de Taguatinga. Para a fundadora da biblioteca, Noemi Rocha, que também participa das aulas, a proposta reforça o papel da biblioteca como um local vivo, aberto à comunidade. “A nossa biblioteca é um lugar de convivência, de muita alegria. Aqui a gente conversa, dança, bate papo. Quando surgiu a ideia de trazer a aula de dança pra cá, recebemos de braços abertos”, afirma. Com entusiasmo e bom humor, Noemi comemora os avanços conquistados nas aulas de forró. “Já sei fazer o ‘dois pra lá, dois pra cá’, o giro, o leque… dou até aquela rodadinha”, conta, rindo. “Antes eu não fazia nada disso. Agora me sinto uma bailarina, com meus lindos cabelos brancos.” Ela reconhece que o início pode parecer desafiador para quem tem baixa visão, mas garante que a metodologia adotada facilita o aprendizado. “É só se jogar. O professor tem uma didática maravilhosa, ensina passo a passo e a gente presta muita atenção. Quando vê, já está rodando, trocando de posição, fazendo os movimentos com leveza.” Para a presidente da ABDV, Helena Pereira, a dança é uma ferramenta poderosa de empoderamento e garantia de direitos das pessoas com deficiência visual. Segundo ela, os benefícios vão muito além da atividade física. “A dança liberta. Melhora nossa coordenação motora, nossa mobilidade e, principalmente, proporciona inclusão e socialização. Muitas vezes, em festas ou eventos, pessoas com deficiência acabam isoladas. Oferecem uma cadeira e pronto, a gente fica de lado. Mas nós queremos mais do que isso. Somos pessoas e queremos viver plenamente”, ressalta. A Biblioteca Braille Dorina Nowill funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. As aulas de forró acontecem às segundas-feiras, das 15h às 16h30, e os participantes costumam chegar com antecedência para se preparar. Após a atividade, o grupo se reúne em um lanche colaborativo, momento em que compartilham impressões sobre os passos, trocam experiências e fortalecem os vínculos. Mais do que aprender a dançar, o encontro semanal se tornou um espaço de acolhimento, movimento e fortalecimento da autoestima.
Foto: Agência Brasília
